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Recortes da Minha Menina

Posted by Arthur on 08:40 in ,
Ela é minha menina
E eu sou o menino dela
O corpo dela é testemunha
De todo o bem que eu faço a ela

Ela é tão Chico Buarque
E eu vou descendo essa ladeira
Desgovernado no seu rumo
Só quero que você me queira
Não leve a mal.


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Seguro Contra Terceiros

Posted by Arthur on 11:04 in
Meu seguro é a falta que eu te faço
Meu lugar é nesse vão ancorado
Seu lugar é qualquer ao meu lado

No meu copo cheio de vazio
Duas doses diárias de você me faltam
Medidas profiláticas, hoje, não me bastam

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Sobre Um Amigo Apaixonado

Posted by Arthur on 08:37
Hoje eu levantei sem acordar. Numa tentativa desesperada de ser meu próprio psicólogo, escrevi um par de linhas que não convenceriam nem a minha mãe. Pensei em algumas conversas fiadas que eu provavelmente nunca vou ter a chance de experimentar. Enfim, tentei através de um joguinho de letras, dar corpo a um drama que na verdade nem existe.

Das suas razões não ouso discordar. Conselhos eu também não tenho para dar. Aliás, eu não tenho nada além desses joguinhos, logo eu que tanto odeio e não sei jogar. Comecei minha semana com o pé esquerdo e como posso eu servir de consolo, ser conselheiro do amigo que parece ter problemas maiores do que os meus?

Eu não sirvo de parâmetro, não compreendo o diâmetro do que sentem os demais. Só entendo que, como é rotina e rotatório, Penny Lane is in our ears and in our eyes.

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Posted by Arthur on 14:59
[há tempos não me escrevo. há tempos não te leio. há tempos eu não sou perseguido pelo seu fantasma branco-prateado nos meus sonhos lúcidos e lembranças lúdicas. não tento mais te impressionar com proparoxítonas. não quero mais te pressionar com promessas versus dívidas.

e mesmo assim, depois do nada de meses, depois de todo o sangue que cuspi pra te expurgar do meu corpo, um encarar momentâneo é o suficiente para um par de sonhos que agora mais parecem pesadelos e duas estrofes, sim, cheias de rancor mas, ainda, cheias de pesar.]

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Ode To Michael Caine

Posted by Arthur on 21:43 in ,

Me and my friend Michael Caine were hangin' downtown
Another day, another place, we're gonna put it down
The night is childish but we're grown ups and it doesn't really matter how late we stay out of bed
I got my booze, got my friend Michael, I will bend you over, let's dance red-haired

For moments of hope or despair
Count on him, he'll be always there
You can rely and trust
You may, you might, you must
He'll never let you down until you're dead
No need to sleep, no need to care

But the red-haired girl had a gold engagement ring around her finger
She told her boyfriend was there with her and, also, was a rugby winger
Well, I must admit I was freaked out my Michael Caine was there to help me get my senses back
He made me brave then I grabbed the first green-bottled beer I found and smashed it on the sucker's head

For moments of hope or despair
Count on him, he'll be always there
You can rely and trust
You may, you might, you must
He'll never let you down until you're dead
No need to sleep, no need to fear

I don't wanna get old
I don't wanna feel cold
I'm no longer as bold
As I once used to be

I got quickly dragged
I got easily trapped
An invisible net
Caught me just like a fish

Michael got back to England
As a knight of the kingdom
Left me stucked here in this land
With no fame and no cash

Now I'm no longer friends with Michael Caine

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Atlas Schindler

Posted by Arthur on 18:35 in , ,


Compassos no ar
Eu ouço se aproximar
O som do salto no mármore do sétimo andar

Vai me perguntar
De qualquer jogo de azar
Do clima, tempo, da bolsa de São Paulo ou NASDAQ

Da alta no preço do pão
Tsunami no Japão
Ou da novela das oito
Quem é mesmo o vilão?

Mas nos dois metros quadrados
De bossa nova cercados
No frio de ar condicionado
Olhamos ambos pro chão

Se eu pudesse acionar a emergência, apertar o botão
(the red one in the top)
Eu cantaria, à capela, dois versos, aliás toda a canção
(i wrote to make you hop)
A parede de vidro refletindo o vestido
Curto e bem colorido destacado do resto
Me faz querer ir subindo além do décimo-quinto
Romper pro céu e sair voando pelo teto
Igual o Willy Wonka

Oito horas de luto
Essa jornada é um culto
De espera pelo minuto
Em que descendo ao térreo

Ele me olhando calado
E eu sorrindo de lado
O Tião do almoxarifado
Entra e quebra a tensão

Um dia de espera a mais
Pra entreolhar o rapaz
Sentado no canto sul do elevador social

Mas num bimestre difícil
Cortaram no edifício
Gastos com ascensorista
E profissão do passado
Que não seve pra nada
E foi pra rua um coitado

Não vai sair no jornal
Não vai passar na TV
É só mais um da classe C que vai ficar sem emprego
No elevador social
Eles não vão mais se ver
E assim, 'lição aprendida', não calo mais por medo


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Simetrias Irregulares

Posted by Arthur on 19:26
Pedras e Pedros que me impedem de alcançar
No fim do arco-íris, a íris gris do seu olhar
Já não te vejo, não te escuto ao meditar
Mas em rostos cortados de cartazes políticos
Em sobras de noites em bares atípicos
É a sua memória, branco-prateada
Eu de pé, você sentada
Você com tudo, eu sem nada
Nado de costas para à costa chegar

Quantos corpos você contou depois
Do meu, eu penso enquanto a dois
Com o remorso de quem sente
Tantos copos de uma bebida amarga
De féu, descer pela garganta larga
Eu faço o fácil a quem me tente

Ao fingir fugir daquele lugar
Eu me senti fracassado ao tentar
Me esquecer de como exaure lutar
Pra te convencer a se contentar
Mas contente é quem sente cortar
O vento lento que sopra do mar
Da Argentina
Da menina
Eu só espero que me espere voltar

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