"[...] Mudo não por condição física, mas por imposição social. Afinal, esta é uma era que não se importa mais com o que é dito, e sim com a maneira que se fala."
Hoje eu levantei sem acordar. Numa tentativa desesperada de ser meu próprio psicólogo, escrevi um par de linhas que não convenceriam nem a minha mãe. Pensei em algumas conversas fiadas que eu provavelmente nunca vou ter a chance de experimentar. Enfim, tentei através de um joguinho de letras, dar corpo a um drama que na verdade nem existe.
Das suas razões não ouso discordar. Conselhos eu também não tenho para dar. Aliás, eu não tenho nada além desses joguinhos, logo eu que tanto odeio e não sei jogar. Comecei minha semana com o pé esquerdo e como posso eu servir de consolo, ser conselheiro do amigo que parece ter problemas maiores do que os meus?
Eu não sirvo de parâmetro, não compreendo o diâmetro do que sentem os demais. Só entendo que, como é rotina e rotatório, Penny Lane is in our ears and in our eyes.
[há tempos não me escrevo. há tempos não te leio. há tempos eu não sou perseguido pelo seu fantasma branco-prateado nos meus sonhos lúcidos e lembranças lúdicas. não tento mais te impressionar com proparoxítonas. não quero mais te pressionar com promessas versus dívidas.
e mesmo assim, depois do nada de meses, depois de todo o sangue que cuspi pra te expurgar do meu corpo, um encarar momentâneo é o suficiente para um par de sonhos que agora mais parecem pesadelos e duas estrofes, sim, cheias de rancor mas, ainda, cheias de pesar.]